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JOSÉ BONIFÁCIO DE ANDRADA E SILVA

Patriarca da Independência e Pai da Mineralogia no Brasil

CRONOLOGIA

 

1763- Nascimento de José Bonifácio, o segundo de 10 irmãos, filho do coronel e ex-fiscal das Minas de Paranapanema, o santista Bonifácio José de Andrada e Maria Bárbara da Silva, nasce em Santos, no dia 13 de Junho num casarão situada a Rua Direita em Santos sendo batizado com o nome de José Antônio de Andrada e Silva. Vinha de uma das famílias mais ricas de Santos.

1763 à 1771- Reside em Santos com a família.

1771 à 1773- Transfere-se para São Paulo com a família e é iniciado nas primeiras letras por seus tios paternos.

1773 à 1777- Ele regressa a Santos.

1773- Nasce seu irmão Antônio Carlos de Andrada.

1775- Nasce seu irmão Martin Francisco Ribeiro de Andrada.

1776- Seu nome consta pela 1ª vez numa lista de recenseamentos: José Bonifácio de Andrada e Silva, 13 anos estudante.

1777- Transfere-se novamente para São Paulo e estuda Lógica, Moral, Metafísica, Eloqüência e Francês com o Frei Don Manoel da Ressurreição. O bispo ficou muito impressionado com assiduidade com que José Bonifácio freqüentava a biblioteca Episcopal.

1779- Cogita seguir a carreira eclesiástica.

Nesse mesmo ano escreve os 1º poemas dedicados a Derminda (sua primeira namorada na infância sob o pseudônimo de Josino.

Derminda, esses teus olhos soberanos

Têm cativado a minha liberdade;

Mas tu cheia, cruel, de impiedade

Não deixas os teus modos desumanos

1780 à 1782- Percorre o Brasil visitando as minas e garimpos de diamante e de ouro de Minas Gerais e as armações baleeiras de Santa Catarina. Escreve novas poesias para a nova amada Alcina

Mas apesar da mísera desdita

De tão cruel partida, eternamente

Nesta minha alma viverás escrita.

1783- Nos meses de junho e julho embarca para Portugal. Em outubro matricula-se no curso de Direito em Coimbra.

1784- Matricula-se nos cursos de Filosofia e Matemática da mesma cidade.

Debate com os seus companheiros universitários, as idéias de Rousseau e Voltaire.

1787- Forma-se em Filosofia, com especial aproveitamento em História Natural.

1788- Gradua-se em direito e transfere-se para Lisboa.

1789- Morre seu pai na Vila de Santos.

Em 04 de Março é admitido como sócio da Academia de Ciências de Lisboa. Requer habilitação para magistradura.

1790- Apresenta a sua memória sobre a pesca e a fabricação do óleo das baleias.

Em 18 de fevereiro recebe do governo português um financiamento para excursionar pela Europa (França, Inglaterra, Alemanha, Suíça, Áustria, Itália, Suécia, Noruega, Dinamarca, Groenlândia, etc.) com o objetivo de aprofundar-se e de aperfeiçoar seus conhecimentos em Mineralogia. Esta viagem de pesquisa dura 10 anos.

Parte para França no mês de junho em plena Revolução Francesa.

1791- Freqüenta as aulas de Fourcroy Lavoisier, Pe. Just, Havy e Jussieu e aprofunda-se em Química, Mineralogia e Ciências Naturais.

Matricula-se na Escola Real de Minas, em Paris e assiste as pré eleições de Duhamel até abril.

Em 29 de Janeiro é feito sócio da Filomática de Paris e em 4 de março da Sociedade de História Natural e é assíduo freqüentante de museus e galerias de Arte.

1792- Segue para Alemanha e matricula-se em Freiberg tendo por mestres Klotzch, Lempe, Kohler, Freistebem e Lampadius e Abraham Gottlob Werner e por condiscípulos o Barão Alexander Von Humboldt, Van buch, Esmarke e Del Rel, pública sua memória sobre os diamantes do Brasil nos “Anales de Chimie de Paris” e 1757 essa memória é traduzida para o inglês e publicada no Journal of natural, philosophy, chemistry and arts de Londres.                                                                      

1793- Em  Freiberg casa-se com a irlandesa Narcisa Emilia O´Leary.

1794- Forma-se em Mineralogia, Metalurgia e Geognosia.

Atestado por Abraham Gottlob Werner.

1794 à 1795- Percorre a Áustria e a Itália.

1796- Fixa-se na Suécia e da continuação aos seus estudos mineralógicos. Conhece as famosas minas de prata de Kongsberg na Noruega.

1798- Divulga a descoberta de uma nova espécie mineral encontrada na Suécia: Petalita (Allgemenes Journal der Chimier, Leipzig, 1798) e mais tarde volta para Freiberg, na Alemanha.

1799- Segue viagem para a Dinamarca a onde participa de estudos sobre uma nova espécie mineral a Criolita com o mineralogista Abildgaard. Retorna a Paris e assiste a coroação de Napoleão Bonaparte.

1800- Divulga a descoberta de mais três novas espécies minerais: Spodumenio, Scapolita e o Diopsidio. Descobre outras variedades de minerais como Sahlita, Coccolita, etc. Homenage-a seu professor e amigo Abraham Gottlob Werner com uma espécie mineral que descobriu e chama de Wernerita (variedade de Scapolita).

Em setembro retorna a Portugal e encontra seus 2 irmãos: Martim Francisco e Antônio Carlos. Promove uma excursão científica de coleta de materiais (rochas e minerais) à Estremadura e Beira.

1801- Em abril é designado títular da cátedra de metalurgia em Coimbra.

Em maio é nomeado Intendente-geral das Minas e Metais do Reino, Superintendente das Minas de Carvão de Buarcos, Diretor do Real Laboratório da Casa da Moeda e membro do tribunal de minas.

1802- Doutor em Direito e Filosofia. Encarregado das sementeiras de pinhais.

1803- Pública em Paris um artigo sobre a estrutura mineralógica na Suécia.

1805- Nomeado desembargador da relação e casa do Porto, cargo que nunca ocupou mais que lhe foi atribuído até 1816.

1806- Após a morte de seu protetor o Duque de Lafons, decide regressar ao Brasil, mas a corte lhe nega a permissão.

1807- É nomeado Superintendente das Obras Públicas de Coimbra, Superintendente do Rio Mondego e Diretor das Obras Hidráulicas de Maranhães.

1808- Invasão de Napoleão Bonaparte e fuga da família real para o Brasil.

José Bonifácio alista-se no corpo voluntário acadêmico para resistir a ocupação francesa e exerce a função de técnico de munições.

1809- Nesse posto ele é promovido a Tenente-Coronel. Após a retomada do Porto é nomeado Inspetor de Polícia desta cidade e Superintendente das Alfândegas e Marinhas.

1810- Ele pede permissão para regressar ao Brasil, a qual lhe é negada mais uma vez.

1811- Dissolução do Corpo Voluntário Acadêmico.

Escreve vários estudos mineralógicos em Portugal.

1812- Ele é eleito por unanimidade Secretário perpétuo da Acadêmia Real de Ciências de Lisboa, cargo que exercerá até 1819.

Pública no jornal “O Patriota” do Rio de Janeiro sua obra: “Mineralogia”

1814- Adoeci gravemente e insiste em regressar ao Brasil.

1815- Pública em Lisboa pela gráfica da Academia Real de Ciências, a memória sobre: “O reflorestamento e a semeadura dos Pinheiros”.

1816- Enumera os serviços prestados a coroa portuguesa e solicita a Dom João VI a graça de regressar ao Brasil.

1817- Pública sua memória sobre: “As minas de ouro á margem do Téjo” e recebe a notícia de que seu irmão Antônio Carlos, vinculado a frustrada revolução pernambucana está preso.

1818- Pública o seu discurso histórico no dia 24 de junho e sua memória sobre “As minas de chumbo”. 

Insiste em regressar ao Brasil até que no dia 19 de agosto abtem permissão.

1819- Sua filha

mais velha Carlota Emilia, casa-se em Portugal com o senhor Alexandre Vandelli, filho de seu amigo, o cientista Domingos Vandelli que foi seu secretário particular desde 1813.

Em 19 de agosto embarca para o Brasil com a sua esposa, filhas e alguns empregados. Traz também sua biblioteca pessoal com mais de 6.000 livros e sua coleção particular de minerais, que era considerada a melhor coleção particular de minerais da época.

1820- Fixa-se em Santos em um local chamado Outeirinhos, próximo ao atual monumento de Nossa Senhora de Fátima, no porto de Santos.

Faz uma excursão pelo interior de São Paulo e Minas Gerais e junto com o seu irmão Martim Francisco descobre outras novas variedades de minerais, esses estudos foram publicados em São Paulo em 1823. As variedades são: Afrizita (Turmalina Preta), Indicolita (Turmalina Azul), etc..

Apresenta trabalhos sobre as salinas e é nomeado conselheiro de Dom João VI. Casamento de Martim Francisco com Dona Gabriela, filha de José Bonifácio.

1821- Vai a São Paulo e integra o movimento liberal. Em Julho é nomeado vice-presidente da junta provisória da província de São Paulo. Em 24 de Dezembro recebe carta de Dom Pedro.

Neste mesmo ano desenvolve pesquisas sobre botânica junto com sua amiga Dona Leopoldina, descrevendo orquídeas e bromélias da Mata Atlântica, no Rio de Janeiro.

1822-

02 de Janeiro- Dom Pedro recebe carta de José Bonifácio pedindo que não se retire do Brasil, caso ele não queira ver derramamento de sangue. 

09 de Janeiro- O príncipe decide ficar. “O dia do Fico”.

17 de Janeiro- É nomeado Ministro do Reino e dos Estrangeiros.

(O 1º Ministro nascido no Brasil)

28 de Maio- É eleito Grão-Mestre do Grande Oriente da Maçonaria no Brasil.

02 de Junho- É excomungado pelo Grande Oriente e funda o “Apostolado da Nobre Ordem dos Cavaleiros da Santa Cruz”.

01 de Agosto- Manifestos de Dom Pedro, Gonçalves Ledo e José Bonifácio afirmando a soberania do Brasil.

06 de Agosto- Pública um manifesto contra as cortes de Lisboa.

Influenciado por José Bonifácio e a princesa Leopoldina, reúnem o conselho de ministros e decide a Independência do Brasil.

07 de Setembro- As margens ro riacho Ipiranga em São Paulo, onde fizeram uma parada para descansar, Dom Pedro junto com o seu amigo e conselheiro Francisco Gomes da Silva “O Chalaça” e alguns soldados, recebe os despachos de José Bonifácio e assim proclama a Independência do Brasil.

14 de Setembro- José Bonifácio é confirmado no Ministério dos Estrangeiros e é substituído por Dom Pedro no Grande Oriente.

27 de Setembro- Pede sua exoneração do ministério e Dom Pedro se recusa a atende-lo, até que a Imperatriz Leopoldina convence-o a ficar.

1823- Ele reorganiza a Marinha de guerra do Brasil.

16 de Junho- É demitido do ministério pelas influências de Domitila de Castro Canto e Melo a infame Marquesa de Santos, Clemente Pereira e Gonçalves Ledo.

José Bonifácio assume no mesmo dia como Deputado da Assembléia Legislativa.

Ele apresenta 2 projetos muito importantes: A Abolição gradual da Escravatura e a Integração Social dos Índios.

16 de Julho- Dom Pedro manda fechar o “Apostolado” de José Bonifácio.

Em protesto José Bonifácio passou a liderar a oposição ao imperador na imprensa, através de dois jornais: O Tamoio e Sentinela da Liberdade.

12 de Agosto- Pública o primeiro número do Jornal “O Tamoio”.

05 de Setembro- Entrevista em O Tamoio.

12 de Novembro- Dom Pedro dissolve a assembléia legislativa e os irmãos Andradas são presos na Fortaleza da Lage e deportados oito dias depois.

20 de Novembro- São exilados para França.

1824-

12 de Fevereiro- Chega a Vigo na Espanha onde é armada uma conspiração para matá-lo.

5 de Julho- Chega a França e em junho se estabelece primeiro em Bordeaux e depois parte para Talence.

1825- Pública em Bordeaux as “Poesias Avulsas” com o pseudônimo de Américo Elísio. Escreve artigos, em que chamava Dom Pedro de Pedro Malasartes e Rapazinho.

2 de Dezembro- Nasce no Brasil no Palácio de São Cristóvão (Quinta da Boa Vista), no Rio de Janeiro o filho mais pródigo de Dom Pedro, o futuro herdeiro do trono brasileiro Dom Pedro II.

1826- Representação à Assembléia.

Falece no Brasil a sua querida amiga a Imperatriz Leopoldina.

1827- Deixa Talence em abril.

1828- Prisão de Antônio Carlos e Martim Francisco.

1829- Em junho retorna de seu exílio e parte de volta para o Brasil e durante a viagem perde sua querida e amada esposa Dona Narcisa. Desembarca no Rio de Janeiro e em meados de agosto fixa sua residência na Ilha de Paquetá.

1831- Abdicação de Dom Pedro I em nome de seu filho.

7 de Abril- É nomeado tutor dos filhos de Dom Pedro I, inclusive do herdeiro do trono brasileiro, o futuro Dom Pedro II.

22 de Junho- É empossado como Deputado Federal.

19 de Agosto- Juramento como tutor no Senado.

1832- Acusação do Padre Feijó e a proposta de sua destituição. Rejeição da destituição pelo Senado. Queda de Feijó.

1833-

14/15 de Dezembro- A proposta de sua destituição é reapresentada e é aprovada por influência dos latifundiários, escravocratas e chefes do grande oriente da maçonaria.

1834- É decretada sua prisão domiciliar.

24 de Stembro- Dom Pedro I morre em Portugal aos 33 anos de idade, no Palácio de Queluz.

1835-

14 de Março- É julgado a revelia mas é unanimente absolvido graças ao maciço apoio popular.

1838-

5 de Abril- As 3 horas da tarde, na Rua do Ingá em Niterói com quase 75 anos de idade, falece de derrame cerebral embora já sofresse de câncer no estomago alguns meses.

Morreu na miséria, coberto por uma colcha remendada e costumava brincar com os raros amigos que iam visitá-lo que esses remendos eram os seus brasões e medalhas.

Conforme sua vontade, jaz na sua cidade Santos, no convento do Carmo em um mausoléu.

Ele mesmo compôs o seu eptáfio:

“Eu desta glória só fico contente,

Que minha terra amei e minha gente”  


Devido ao seu papel fundamental na preparação e na consolidação da Independência do Brasil é chamado de o Patriarca da Independência e por seus feitos na mineralogia é considerado como o Pai da Mineralogia no Brasil e devido ao seu amor a natureza e a sua luta pela preservação do meio-ambiente é considerado também o Pai da Ecologia no Brasil.

 

Por seus grandes feitos no campo da geologia e mineralogia, recebeu uma grande homenagem do mineralogista norte-americano James Dana, o seu nome em uma espécie mineral - "andradita" - mineral do grupo das granadas.